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A Ferida Invisível: Como o Trauma Infantil Molda o Vício na Vida Adulta

  • Foto do escritor: Karol Idalmo
    Karol Idalmo
  • 27 de jan.
  • 2 min de leitura
A Ferida Invisível: Como o Trauma Infantil Molda o Vício na Vida Adulta

Muitas vezes, a sociedade encara o vício através das lentes do julgamento moral ou da falha biológica. No entanto, quando mergulhamos na psicologia profunda e na neurobiologia, descobrimos uma verdade muito mais compassiva: o vício é, frequentemente, uma resposta desesperada a uma dor que começou muito antes da primeira dose, aposta ou comportamento compulsivo.


1. O Vício como Estratégia de Sobrevivência

O renomado Dr. Gabor Maté afirma que não deveríamos perguntar "por que o vício?", mas sim "por que a dor?". Para uma criança que cresceu em um ambiente de medo, negligência, abuso ou instabilidade, o mundo é um lugar perigoso.

Quando essa criança se torna adulta, ela carrega um sistema nervoso que nunca aprendeu a relaxar. O vício surge como uma tentativa de "automedicação": a substância ou o comportamento não é o problema principal, mas a solução temporária que o indivíduo encontrou para silenciar a ansiedade, a vergonha e o vazio existencial.


2. A Arquitetura do Cérebro Traumatizado

O trauma precoce altera fisicamente o desenvolvimento cerebral. Quando o estresse é crônico na infância, o cérebro prioriza as áreas de sobrevivência (como a amígdala) em detrimento das áreas de raciocínio e controle de impulsos (córtex pré-frontal).

Além disso, o sistema de recompensa — responsável pela dopamina — torna-se menos sensível aos prazeres naturais da vida. Isso cria um estado de "fome emocional", onde o indivíduo precisa de estímulos cada vez mais fortes para sentir um mínimo de bem-estar ou, simplesmente, para deixar de sofrer.


3. O Estudo ACE e a Correlação Estatística

A ciência confirma essa conexão através do estudo ACE (Adverse Childhood Experiences). A pesquisa demonstrou que quanto maior o número de experiências traumáticas na infância, maior a probabilidade de doenças crônicas e dependência química na maturidade. O trauma não é apenas um evento que passou; é uma marca que dita como o corpo reage ao estresse décadas depois.


4. O Caminho para a Recuperação Real

Tratar o vício apenas com foco na abstinência é como tratar uma infecção apenas com analgésicos: você alivia o sintoma, mas a causa permanece. A cura real exige:

  • Segurança Somática: Aprender a habitar o próprio corpo sem sentir pânico.

  • Processamento do Trauma: Abordagens como a TRG ajudam o cérebro a trabalhar as memórias traumáticas que ainda estão "vivas" no sistema nervoso.

  • Autocompaixão Radical: Substituir a vergonha ("o que há de errado comigo?") pela curiosidade ("o que aconteceu comigo?").


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Referências Bibliográficas (Fontes para consulta)

  • VAN DER KOLK, Bessel. O Corpo Expulsa a Dor: Cérebro, mente e corpo na cura do trauma. Rio de Janeiro: Sextante, 2020.

  • MATÉ, Gabor. No Reino dos Fantasmas Famintos: Encontros próximos com o vício. (Edição internacional).

  • FELITTI, V. J. et al. Relationship of Childhood Abuse and Household Dysfunction to Many of the Leading Causes of Death in Adults (The ACE Study). American Journal of Preventive Medicine, 1998.

  • LEVINE, Peter A. O Despertar do Tigre: Curando o Trauma. São Paulo: Summus, 1997.

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Karol Idalmo,  Atendimento online e presencial em Campinas-19-998852924

TRG terapia, análise corporal, hipnossistêmica, psicanálise

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