top of page

Tel: (19) 998852924

Solidão em tempos de conexão: por que nos sentimos sós e o que podemos fazer sobre isso

Foto do escritor: Karol Idalmo
Karol Idalmo
20 de set.
7 min de leitura
Solidão nos dias atuais, como mudar o jogo?
Solidão nos dias atuais, como mudar o jogo?

Você já se sentiu sozinho mesmo estando cercado de pessoas?

Talvez você tenha uma família, amigos, colegas de trabalho e centenas de contatos nas redes sociais, mas ainda assim exista uma sensação difícil de explicar: a de não se sentir verdadeiramente conectado.


A solidão em tempos de conexão é uma experiência cada vez mais discutida quando falamos sobre saúde mental. E sentir-se sozinho não significa necessariamente estar sem ninguém por perto.


A Organização Mundial da Saúde estima que aproximadamente uma em cada seis pessoas no mundo experimente solidão. O fenômeno pode afetar pessoas de diferentes idades e contextos, embora seja especialmente frequente entre adolescentes e adultos jovens.


O que é solidão?

A solidão é uma experiência subjetiva. Ela acontece quando existe uma diferença entre as conexões que uma pessoa possui e aquelas que gostaria ou sente necessidade de ter.

Isso significa que alguém pode passar muito tempo sozinho e não necessariamente se sentir solitário.

Da mesma forma, uma pessoa pode estar em um relacionamento, trabalhar em uma empresa movimentada ou participar de vários grupos e ainda experimentar uma profunda sensação de desconexão.


Solidão e isolamento social são a mesma coisa?

Não.

Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, existe uma diferença importante.

Isolamento social está relacionado à quantidade ou frequência objetiva de contatos e relacionamentos que uma pessoa possui.

Já a solidão está relacionada à experiência subjetiva de sentir que as conexões existentes não são suficientes ou não oferecem o tipo de vínculo que a pessoa deseja.

Uma pessoa pode, portanto, estar socialmente isolada sem se sentir solitária. Outra pode ter muitos contatos sociais e sentir-se profundamente sozinha.


Por que podemos nos sentir sozinhos mesmo estando conectados?

Vivemos em uma época em que conversar com alguém está tecnicamente mais fácil do que nunca.

Podemos enviar mensagens instantaneamente, fazer chamadas de vídeo, acompanhar a rotina de pessoas pelas redes sociais e participar de grupos virtuais.

Mas estar conectado não é necessariamente o mesmo que sentir-se conectado.

A conexão social envolve também qualidade, reciprocidade, confiança, acolhimento e sensação de pertencimento. A OMS destaca que a qualidade das relações é uma dimensão importante da conexão social.


A quantidade de contatos não determina a qualidade dos vínculos


Ter muitos seguidores ou receber várias mensagens durante o dia não significa necessariamente ter alguém com quem conversar sobre aquilo que realmente importa.

Uma pessoa pode receber dezenas de notificações e ainda sentir que não tem para quem dizer:

"Hoje eu não estou bem."

É justamente essa diferença entre contato e vínculo que ajuda a compreender parte da solidão contemporânea.


Redes sociais podem aumentar a sensação de solidão?


As redes sociais não são, por si mesmas, responsáveis pela solidão.

Elas podem facilitar a comunicação, aproximar pessoas que estão distantes e permitir a criação de comunidades baseadas em interesses comuns.

Ao mesmo tempo, a OMS aponta que o uso excessivo ou prejudicial de mídias digitais pode estar entre os fatores associados à desconexão social, especialmente entre pessoas mais jovens.

Além disso, observar constantemente a vida de outras pessoas pode criar uma percepção distorcida de que todos estão vivendo relacionamentos, encontros e experiências melhores do que os nossos.

É importante lembrar que as redes sociais mostram apenas recortes da vida.


A solidão pode afetar a saúde mental?

Sim.

A solidão e o isolamento social estão associados a impactos importantes na saúde física e mental. Evidências reunidas pela OMS relacionam a desconexão social a maior risco de ansiedade, depressão e outros problemas de saúde.

Isso não significa que sentir-se sozinho automaticamente causará uma doença mental.

A relação é complexa e envolve características individuais, contexto social, condições econômicas, saúde física, experiências de vida e qualidade dos relacionamentos.

Por isso, a solidão deve ser compreendida sem culpa e sem julgamentos.


Por que a solidão pode ser tão dolorosa?

Os seres humanos precisam de conexão.

Sentir-se ouvido, reconhecido e pertencente a algum grupo pode oferecer segurança emocional e apoio diante das dificuldades.

Quando essa conexão falta por muito tempo, a pessoa pode começar a sentir que não é compreendida, que não faz diferença para os outros ou que não existe espaço para compartilhar aquilo que está vivendo.

Esses pensamentos podem alimentar um ciclo de afastamento.


O ciclo da solidão


Em algumas situações, pode acontecer algo parecido com isto:

solidão → afastamento → menos contato → sensação maior de desconexão → mais solidão.

A pessoa pode deixar de responder mensagens, recusar convites ou evitar situações sociais porque acredita que não será compreendida.

Quanto maior o afastamento, mais difícil pode parecer voltar a estabelecer vínculos.

Por isso, pequenas aproximações podem ser importantes.


A solidão pode acontecer em qualquer fase da vida


Não existe uma idade específica para sentir solidão.

Ela pode aparecer depois de uma mudança de cidade, término de relacionamento, perda de alguém importante, aposentadoria, mudança de emprego ou nascimento dos filhos.

Também pode surgir quando uma pessoa percebe que seus relacionamentos mudaram ou que as conexões que antes faziam sentido já não correspondem às suas necessidades atuais.

A OMS aponta que fatores como mudanças importantes na vida, viver sozinho, dificuldades econômicas e falta de recursos comunitários podem contribuir para a solidão e o isolamento social.


Como lidar com a solidão?


Não existe uma solução única.

Para algumas pessoas, o primeiro passo será retomar contato com alguém. Para outras, será necessário construir novas relações ou procurar ajuda profissional.

O importante é evitar a ideia de que você precisa resolver tudo de uma vez.


Pequenos passos podem fazer diferença

Experimente:

  • mandar uma mensagem para alguém de confiança;

  • convidar uma pessoa para tomar um café;

  • fazer uma ligação em vez de apenas enviar mensagens;

  • participar de uma atividade em grupo;

  • procurar um curso relacionado a um interesse pessoal;

  • participar de projetos comunitários;

  • praticar algum esporte ou atividade coletiva;

  • visitar familiares ou amigos;

  • oferecer ajuda a alguém que também possa estar precisando de companhia;

  • conversar com um profissional de saúde mental quando sentir necessidade.

A OMS também destaca estratégias individuais, relacionais e comunitárias como caminhos possíveis para fortalecer a conexão social.



Qualidade é mais importante do que quantidade

Você não precisa conhecer muitas pessoas para deixar de se sentir sozinho.

Uma única relação na qual exista confiança e liberdade para ser você mesmo pode ter um significado muito diferente de dezenas de contatos superficiais.

Pergunte a si mesmo:

  • Com quem posso conversar de verdade?

  • Existe alguém que posso procurar quando estou passando por uma situação difícil?

  • Tenho algum espaço onde me sinto pertencente?

  • Tenho relações nas quais consigo demonstrar vulnerabilidade?

  • Existem pessoas com quem gostaria de me reconectar?

Essas perguntas podem ajudar a identificar necessidades que talvez estejam sendo deixadas de lado.


Criar conexões exige presença

Relacionamentos não são construídos apenas por quantidade de mensagens.

Eles precisam de presença, escuta e continuidade.

Às vezes, isso significa deixar o celular de lado durante uma conversa, prestar atenção no que a outra pessoa está dizendo ou perguntar genuinamente como alguém está.

Uma conversa realmente presente pode ser mais significativa do que horas de interação superficial.


Participar de grupos pode ajudar

Quando não temos uma rede de apoio consolidada, encontrar espaços de convivência pode ser um primeiro passo.

Algumas possibilidades incluem:

  • grupos de leitura;

  • atividades esportivas;

  • cursos;

  • trabalhos voluntários;

  • grupos culturais;

  • atividades religiosas ou comunitárias, quando fizerem sentido para a pessoa;

  • projetos sociais;

  • grupos relacionados a hobbies.

A chamada infraestrutura social, como espaços públicos, bibliotecas, parques e locais comunitários, também pode favorecer oportunidades de encontro e convivência.


Quando a solidão precisa de atenção profissional?

Sentir solidão ocasionalmente faz parte da experiência humana.

Porém, quando essa sensação se torna persistente, intensa ou começa a interferir na rotina, no sono, no trabalho, nos relacionamentos ou na vontade de realizar atividades, pode ser importante procurar ajuda.

Um profissional de saúde mental pode ajudar a compreender o que está por trás desse sofrimento e encontrar estratégias adequadas para cada situação.

Você não precisa esperar que a solidão se torne insuportável para procurar ajuda.

E buscar acompanhamento profissional não significa que exista algo "errado" com você. Significa reconhecer que determinada situação está difícil e que você merece apoio.


Práticas para fortalecer suas conexões no dia a dia

Começar pequeno pode tornar o processo mais possível.

1. Envie uma mensagem

Pense em alguém de quem você gosta e pergunte genuinamente como essa pessoa está.


2. Marque um encontro

Pode ser um café, uma caminhada ou simplesmente alguns minutos de conversa.


3. Participe de algo que desperte seu interesse

Encontrar pessoas que compartilham interesses pode facilitar a criação de vínculos.


4. Diminua as distrações durante uma conversa

Guardar o celular por alguns minutos pode ajudar a tornar a interação mais presente.


5. Compartilhe como você realmente está

Nem sempre é necessário dizer "está tudo bem".

Permitir que alguém conheça um pouco daquilo que você está sentindo pode abrir espaço para uma conexão mais verdadeira.


6. Procure ajuda quando necessário

Se a solidão estiver acompanhada de sofrimento intenso, ansiedade, tristeza persistente ou sensação de desesperança, converse com um profissional.


Conclusão: estar conectado é mais do que estar online

A tecnologia trouxe possibilidades incríveis de comunicação, mas conexão verdadeira envolve mais do que mensagens, curtidas e notificações.

Precisamos também de presença, escuta, confiança, pertencimento e relações nas quais possamos ser nós mesmos.

A solidão é uma experiência real e pode ser difícil de enfrentar, mas ela não precisa definir a sua vida.

Talvez o primeiro passo seja pequeno: uma mensagem, uma conversa, um convite ou a decisão de procurar ajuda.

Conexões significativas não precisam ser perfeitas. Elas precisam ser reais.


Perguntas frequentes sobre solidão e saúde mental

É possível sentir solidão mesmo estando acompanhado?

Sim. A solidão é uma experiência subjetiva e pode ocorrer quando a pessoa sente que suas relações não correspondem às conexões que gostaria ou precisa ter.


Qual é a diferença entre solidão e isolamento social?

O isolamento social está relacionado à falta objetiva de contatos e relacionamentos. A solidão é a sensação subjetiva de desconexão ou de que as relações existentes não são suficientes.


As redes sociais causam solidão?

Não necessariamente. As redes sociais podem aproximar pessoas, mas o uso excessivo ou prejudicial das mídias digitais pode estar associado à desconexão social em determinadas circunstâncias.


Como diminuir a sensação de solidão?

Pequenos passos podem ajudar, como retomar contato com pessoas de confiança, participar de atividades coletivas, desenvolver novos vínculos e buscar ajuda profissional quando necessário.


A solidão pode prejudicar a saúde mental?

A solidão e o isolamento social estão associados a maior risco de problemas como depressão e ansiedade, além de impactos na saúde física. Isso não significa que toda pessoa solitária desenvolverá um transtorno mental.


Quando procurar um psicólogo ou outro profissional?

Quando a solidão for persistente ou estiver causando sofrimento significativo e interferindo na vida cotidiana, procurar um profissional de saúde mental pode ser uma decisão importante de cuidado.


Referências bibliográficas

  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. From loneliness to social connection: charting a path to healthier societies — Report of the WHO Commission on Social Connection. Geneva: World Health Organization, 2025.

  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. Social connection: Questions and answers. Geneva: World Health Organization, 2025.

  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. Social Isolation and Loneliness. Geneva: World Health Organization.

  • ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Conexão social é associada à melhoria da saúde e redução do risco de morte prematura. OPAS/OMS, 2025.

 
 
 

Comentários


Karol Idalmo,  Atendimento online 

Atendimento via WhatsApp 19-998852924 -Não atendemos chamadas telefônicas

Temos uma terapia ideal para você!!

bottom of page